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Falta de desejo sexual: o erro de diagnóstico que pode estar impedindo sua melhora

Atualizado: há 3 dias

Você já parou pra pensar que o seu problema sexual pode estar sendo mal diagnosticado?

Você sente que perdeu o desejo sexual, mas todos os exames parecem normais?

Essa é uma situação mais comum do que parece. Muitas pessoas convivem durante anos com a diminuição da libido, dificuldades na excitação ou ausência de interesse sexual sem compreender a verdadeira origem do problema.


O que poucas pessoas sabem é que existe um erro de diagnóstico extremamente frequente: acreditar que a falta de desejo sexual começa necessariamente no corpo.

Quando isso acontece, fatores emocionais, psicológicos e relacionais acabam sendo ignorados, atrasando tratamentos eficazes e prolongando o sofrimento. Antes de concluir que seu problema está nos hormônios, na idade ou em alguma alteração física, vale entender como a resposta sexual realmente funciona.


Muita gente chega na terapia achando que tem “falta de desejo”, “problema no corpo” ou até que “não funciona mais como antes”.Mas, na prática clínica, o que eu mais vejo é outra coisa:👉 o foco está no lugar errado.

Nem toda falta de desejo sexual começa no corpo.E quando isso é ignorado, o tratamento também não funciona. Você já parou pra pensar que o seu problema sexual pode estar sendo mal diagnosticado?


Nem toda dificuldade sexual começa no corpo. E quando isso é ignorado, o tratamento também não funciona.

Na prática clínica, existe um erro que eu vejo se repetir com muita frequência: Tentar explicar dificuldades sexuais apenas pelo corpo, ignorando o papel do desejo e dos processos psicológicos. Foi exatamente esse ponto que Helen Kaplan, psiquiatra e sexóloga, ajudou a esclarecer de forma decisiva.


Kaplan não estava apenas pesquisando em laboratório, ela estava atendendo pacientes. E foi nesse contexto que ela percebeu algo essencial: Muitas pessoas não tinham um problema fisiológico primário. Na verdade, o que acontecia era uma falha anterior à resposta corporal, uma ausência ou redução do desejo.


Na época, o modelo mais conhecido era o de Masters e Johnson, que descrevia a resposta sexual em fases como excitação, platô, orgasmo e resolução. Era um modelo importante, mas limitado. Ele começava pelo corpo e não explicava o que levava uma pessoa a entrar nesse ciclo. E é aqui que Kaplan faz uma mudança que, na minha visão, continua sendo extremamente atual: ela coloca o desejo como ponto de partida.


Em 1979, ela propõe o modelo trifásico, organizado em três etapas: desejo, excitação e orgasmo.

Quando eu explico isso para pacientes, gosto de deixar claro que o desejo não é apenas “vontade”. Ele envolve pensamentos, fantasias, disponibilidade emocional e abertura para a experiência sexual. É influenciado por hormônios, sim, mas também por ansiedade, estresse, história de vida e, principalmente, pela qualidade da relação. É o que ativa todo o sistema.


A excitação vem depois, mas não é automática. Ela depende de uma integração entre mente e corpo. Não basta o estímulo físico, a pessoa precisa estar presente, envolvida, conectada. Na clínica, é muito comum ver casos em que existe desejo, mas a excitação não se sustenta por conta de ansiedade de desempenho, distração ou desconexão emocional.


Já o orgasmo é a fase de liberação dessa tensão acumulada. Mas ele não acontece isoladamente. Quando há falhas no desejo ou na excitação, isso inevitavelmente impacta a resposta orgásmica.


O que eu considero mais útil no modelo de Kaplan é justamente a sua aplicação clínica. Ele organiza as disfunções sexuais de forma clara.

Quando o problema está no desejo, estamos diante do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, em que há redução significativa ou ausência de interesse e fantasias sexuais. Quando a dificuldade está na excitação, podem aparecer quadros como Disfunção Erétil ou Transtorno de Excitação Sexual Feminina; a pessoa até quer, mas o corpo não responde como esperado. E quando a questão está no orgasmo, falamos em Anorgasmia ou Transtorno Orgásmico, em que há dificuldade ou ausência de orgasmo mesmo com excitação.


Com o avanço das pesquisas, novos modelos surgiram. Hoje sabemos que a resposta sexual pode não ser linear, que o desejo pode aparecer depois da excitação e que fatores relacionais têm um peso enorme. Mas é importante deixar claro: Esses modelos não invalidam Kaplan. Eles refinam e expandem. A base continua sendo extremamente sólida.


Na minha prática, eu continuo utilizando o modelo trifásico porque ele é objetivo, funcional e, principalmente, eficaz para diagnóstico. Ele me permite identificar com precisão em que etapa está a dificuldade e, a partir disso, direcionar melhor a intervenção.


Outro ponto que sempre reforço é que muitas dessas disfunções têm origem psicogênica. Ou seja, não estão necessariamente ligadas a um problema orgânico, mas a fatores emocionais, cognitivos e relacionais. E é exatamente por isso que a terapia sexual tem um impacto tão relevante, ela atua diretamente nesses mecanismos, reduzindo de forma significativa essas dificuldades.


Se você chegou até aqui, talvez já tenha me ouvido explicar partes disso em contexto terapêutico. Mas aqui a ideia foi aprofundar e organizar melhor esse entendimento. Porque, quando a gente compreende como a resposta sexual funciona de fato, fica muito mais fácil identificar o que está acontecendo e, principalmente, o que pode ser feito.


A falta de desejo sexual está afetando sua autoestima, seu relacionamento ou sua qualidade de vida?

Você não precisa continuar tentando encontrar respostas sozinho(a).

Uma avaliação especializada pode ajudar a identificar os fatores emocionais, psicológicos, relacionais e físicos envolvidos na sua dificuldade sexual, permitindo um tratamento mais assertivo e eficaz.


Agende sua consulta e descubra o que pode estar por trás da sua falta de desejo sexual. Quanto mais preciso for o diagnóstico, maiores são as chances de uma melhora real e duradoura.

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